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Intervenção dos EUA na Venezuela marca novo rumo na geopolítica mundial

  • Foto do escritor: Peter Lobato
    Peter Lobato
  • 6 de jan.
  • 3 min de leitura

Os cinco continentes se preparam para o começo do que é chamado, nas aulas de história, de um marco na linha do tempo

Os cinco continentes se preparam para o começo do que é chamado, nas aulas de história, de um marco na linha do tempo. China e Rússia emitiram declarações firmes contra o que chamam de intervenção de Washington em um país estrangeiro
Os cinco continentes se preparam para o começo do que é chamado, nas aulas de história, de um marco na linha do tempo. China e Rússia emitiram declarações firmes contra o que chamam de intervenção de Washington em um país estrangeiro

China exige que Estados Unidos soltem Nicolás Maduro e sua esposa

Pequim pediu a imediata libertação de Nicolás Maduro e sua esposa; o governo de Xi Jinping afirmou que a operação militar norte-americana viola o direito internacional e as normas que regem a soberania dos Estados.


Moscou classificou a ação como um "ato de agressão armada" e considerou insustentável qualquer tentativa de justificar a ofensiva norte-americana. Rússia e China são os maiores parceiros comerciais e políticos da Venezuela — atualmente, 80% do petróleo venezuelano é exportado para a China.


O Pragmatismo das potências


Nota-se que, apesar das manifestações oficiais, não há decisão de ação concreta para apoiar a Venezuela contra os americanos. A Rússia está em guerra com a Ucrânia há quase quatro anos e tenta retomar sua influência geopolítica em parte da região da antiga União Soviética. Além disso, a Moscou não interessa escalar a briga com a Casa Branca, já que Trump tem mostrado mais aceitação às ações do Kremlin.


Pequim também está mais preocupada em garantir sua hegemonia na Ásia e com o problema de Taiwan, que pode desencadear uma guerra. Por outro lado, a China quer ter acesso a recursos naturais de que necessita para o seu desenvolvimento e sua segurança alimentar e energética. Por isso, Washington já sinalizou que não vai interromper as exportações de petróleo venezuelano para a China.


Posicionamento europeu e a questão da Groenlândia


A Europa segue procurando uma forma de se posicionar econômica e politicamente neste novo mundo. As respostas dos países europeus ressaltam a importância do respeito ao direito internacional, mas não criticam com ênfase a ação dos Estados Unidos. Vários países, inclusive, destacam que a Venezuela fica melhor sem Maduro. A França deu a resposta mais objetiva ao episódio: o presidente Emmanuel Macron disse que o povo venezuelano se livrou do ditador Nicolás Maduro e que é preciso celebrar.


A Europa também não quer bater de frente com os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial, e necessita do apoio americano para a guerra no continente. Ao mesmo tempo, a União Europeia se vê diante de um grande problema com as ameaças de Trump de anexar a Groenlândia — território pertencente à Dinamarca e rico em recursos naturais.


Logo após a ação americana na Venezuela, viralizaram entre apoiadores de Trump fotos da Groenlândia com a bandeira americana, movimento iniciado por uma influenciadora, esposa de um importante assessor do presidente. A reação da diplomacia dinamarquesa foi imediata, pedindo respeito, enquanto Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos necessitam da Groenlândia.


Nova Doutrina Monroe e a América Latina


A América Latina será a região mais diretamente afetada. Trump já havia dito anteriormente que a região deve ser uma área de influência norte-americana, expondo uma "Nova Doutrina Monroe". Em entrevista, o presidente declarou que precisa fazer algo contra cartéis mexicanos, Cuba e Colômbia.


Sob a Doutrina Monroe de 1823, os EUA declararam que "as Américas são dos americanos" e, com essa política, intervieram durante décadas em todo o continente. Historicamente, o México teve metade de seu território anexado aos EUA, enquanto Cuba e Porto Rico foram ocupados. De fato, o ano só está começando.

Band

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