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Captura de Maduro pressiona tabuleiro político no Brasil, dizem especialistas

  • Foto do escritor: Peter Lobato
    Peter Lobato
  • 6 de jan.
  • 2 min de leitura

Analistas apontam que ataque reacende temores de intervenção externa, gera incertezas sobre o futuro da Venezuela e impõe desafios diplomáticos, humanitários e políticos ao Brasil

Anna França

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura a espada de Simón Bolívar enquanto se dirige a membros das forças armadas, da Milícia Bolivariana, da polícia e a civis durante um comício contra uma possível escalada das ações dos EUA em relação ao país, na base militar Fort Tiuna, em Caracas, Venezuela, 25 de novembro de 2025. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria/FOTO DE ARQUIVO
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura a espada de Simón Bolívar enquanto se dirige a membros das forças armadas, da Milícia Bolivariana, da polícia e a civis durante um comício contra uma possível escalada das ações dos EUA em relação ao país, na base militar Fort Tiuna, em Caracas, Venezuela, 25 de novembro de 2025. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria/FOTO DE ARQUIVO
Prisão de Maduro na Venezuela
Prisão de Maduro na Venezuela

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro mexem no cenário geopolítico da América Latina, reacendem temores históricos de intervenção externa e colocam o Brasil diante de desafios diplomáticos, humanitários e políticos internos. A avaliação é compartilhada por especialistas em relações internacionais e ciência política ouvidos pelo InfoMoney.


Para o professor Roberto Goulart Menezes, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), o desfecho observado desde a madrugada surpreendeu os governos da região.


“A expectativa era de uma pressão sucessiva sobre o governo de Nicolás Maduro, com consultas e negociações envolvendo países da região. O que ocorreu foi um ataque direto, com características de uma ‘operação cirúrgica’, como a realizada no Iraque em 1991, embora ainda haja muitas lacunas de informação”, afirma.


Entre as principais incertezas estão o paradeiro de Maduro, se houve apoio ou divisão nas Forças Armadas venezuelanas e se o país caminha para uma transição negociada ou para um período de confrontos internos. Para Menezes, essas respostas serão determinantes para medir o grau de instabilidade regional.


Fato geopolítico


Na avaliação do consultor em marketing político e estrategista, Celso Lamounier, o episódio precisa ser analisado em duas camadas. A primeira é o fato geopolítico em si, com os Estados Unidos escalando ações contra a Venezuela sob o argumento do combate ao narcotráfico e anunciando a captura do líder venezuelano. A segunda é a narrativa sobre a disputa real.


“Os EUA alegam que é uma guerra contra o narcotráfico, mas o governo venezuelano sustenta que o objetivo dos ataques seria o controle de reservas estratégicas, como petróleo e minerais”, afirma.


Segundo ele, nos dias que antecederam a ofensiva, Maduro vinha sinalizando disposição para conversas com Washington, inclusive mencionando cooperação antidrogas e investimentos no setor de petróleo, numa tentativa de deslocar o conflito para o campo diplomático.


Lamounier ressalta o precedente perigoso criado pelo que chamou de “intervenções militares seletivas” e a captura de um chefe de Estado, que ampliam a instabilidade em toda a América Latina. “Ainda mais em um país que faz fronteira com o Brasil”. Para ele, o fato de outros regimes autoritários ou democracias frágeis não sofrerem ações semelhantes reforça a leitura de que interesses estratégicos e econômicos pesam nessas decisões.


Lamounier ressalta o precedente perigoso criado pelo que chamou de “intervenções militares seletivas” e a captura de um chefe de Estado, que ampliam a instabilidade em toda a América Latina. “Ainda mais em um país que faz fronteira com o Brasil”, diz.

Infomoney

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